domingo, 29 de junho de 2014

QUAL A MAIOR PREOCUPAÇÃO?


Vamos fazer uma pequena pausa para pensar no assunto do momento: A morte do nosso Presidente Tancredo. Que Deus o tenha em sua santa paz, é nosso desejo. E nós... vamos deixa-lo em paz também? Se os grandes de nossa terra querem de fato homenageá-lo, devem executar o programa de governo dele, que tantas esperanças suscitou na mente de nosso povo.

Como a vida precisa continuar, volta a nossa maior preocupação a ser justamente o povo brasileiro. Povo que se satisfaz com tão pouco. Procedendo sempre como se tudo fosse destino...trazido pela vontade de Deus. Assim o que me chamou a atenção foi uma pergunta que um repórter fez em praça pública, no dia 21 deste. Perguntava a cada um que encontrava: - Você acha que o Presidente Sarney vai conseguir cumprir o programa traçado pelo Presidente Tancredo, fazendo pelo povo aquilo que este se propunha a fazer? Cada qual respondia a seu modo mas todos procuravam afirmar que a esperança ainda não morreu.

Eu perguntaria ao repórter com outra pergunta: - O Presidente Tancredo teria conseguido? Figueiredo conseguiu? Geisel que depois de empossado mudou substancialmente seu programa de governo, conseguiu? Médice, Costa e Silva conseguiram? Jango e Jânio conseguiram? Principalmente aqueles, pois tinham e detinham em suas mãos – aparentemente- todo o poder para governar.

Todo presidente em nosso país está imbuído da melhor boa vontade. São verdadeiros patriotas que gostariam imensamente dar ao povo o que este merece. Mas porque o negócio não vai?...Este assunto dá pano pra muita manga.

Romelândia, 24 de abril de 1985.

Tio Fidêncio.

sábado, 28 de junho de 2014

MEDITAÇÃO

Todos nós temos o costume de pedir a Deus as coisas que desejamos e que esperamos alcançar. Pedimos paz, saúde, felicidade e pão. Não é isto que pedimos cada dia? O pão nosso de cada dia nos dai hoje?

Bonito, não é Zé Pimenta? Mas será que esta nossa conduta está certa? Nós pedimos como se nós tivéssemos o direito de ser atendidos. Ou melhor, que ELE tivesse obrigação de nos atender. Escutar e dar tudo o que pedimos.

Entende o Tio Fidêncio que muito melhor do que isto seria agradecer a Deus cada dia aquilo que de bom nós temos em nossa vida. Sempre tivemos e hoje ainda temos. Saúde, paz, alimentos, casa para morar, uma cama para descansar das canseiras da vida. Crianças ao nosso redor. Muitas crianças, com seus olhos azuis, verdes, castanhos, límpidos e cristalinos, irradiando uma profunda e incompreensível paz. Flores de todos os matizes e aromas – o céu azul – o cosmos com suas miríades de astros, o sol, o dia, a noite. As lavouras pejadas de frutos. E quanta coisa mais. Cada um de nós.

E nós continuamos pedindo. Não seria melhor, torno a perguntar, agradecer sinceramente e com humildade aquilo que temos e já recebemos? Esta história sempre me faz lembrar o freguês que vai comprar fiado. E compra. E leva. E leva e nunca se lembra de pagar. De repente o bodegueiro perde a calma, dizendo: Agora você paga o que já recebeu...senão... nada mais.

O que estamos nós fazendo para pagar todo o bem que já recebemos da divina providência? O assunto seguirá noutra oportunidade. E você, meu amigo Zé Pimenta, dê algum palpite também. 

Romelândia, 11 de abril de 1985.

Tio Fidêncio.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

NOSSA LÍNGUA 


Na última edição saiu uma palavra nova. Para tio Fidêncio pelo menos. 

É sociólogo. Pelo menos no meu dicionário não existe. Mas como a língua de um povo está em constante modificação e aperfeiçoamento, admite-se que tal ou qual palavra ou expressão venha um dia existir. Será um erro gráfico, está desde já perdoado. Mas continuo insistindo que o possível acontece. 

Senão vejamos a novidade recente que se chama “um barato”. Donde veio esta expressão? Originou-se de que país? Pelo que pude entender deve ser uma palavra neutra. É pelo menos o que fiquei imaginando outro dia ao assistir um programa de televisão onde ele disse à colega sei lá se de lazer ou de trabalho: Você é um barato! Não consegui entender. Mas procurando lá com meus botões criei uma situação que pudesse me ajudar e pensei: Que tal se ele dissesse : Você é uma barata! Não é possível, não é Zé Pimenta! Assim não dá. A continuar assim, que será da última flor do Lácio? Inculta e bela – vá lá! Com coisas assim até nosso Machado de Assis leva um susto de vez em quando. Outra que ouvi de um narrador gaúcho: Adão foi um índio abarbarado por falta de erudição. Esta gostei – falta de erudição. 

Pelo menos este não podia dar a culpa ao professor. Outro procurou um dia destes o Tio Fidêncio e disse assim: Vim pedi um conseio ao sinhô porque sou meio burrão bastante pra mais de metro e não entendo as coisa. Por favor Zé Pimenta não deboche. 

Romelândia, 26 de março de 1985. 

Tio Fidêncio.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

ABERTURA POLÍTICA

De tanto ver todo mundo alegre, faceiro, até o Tio Fidêncio anda bastante animado. E meu amigo Zé Pimenta, como anda? Eufórico também? Que bom. Não sei que coisa maravilhosa é o povo brasileiro. Já disse um sociólogo, há tempos, que o brasileiro é o povo do jeitinho. Mas, tudo o que é demais não presta. Por isso a gente fica meio desconfiado também. Confia desconfiando. Nossos representantes lá nas altas esferas deram a impressão ao povo que somente a tal de abertura democrática vai resolver os problemas do Brasil. Mas o Tio Fidêncio, como tanta gente mais, tem viva lembrança de 1960, quando todos os brasileiros votaram ou no sr. Jânio Quadros ou no sr. Jango. Eleitos com entusiasmo nunca visto nesta terra. Um presidente da República e outro Vice-Presidente. Numa vasta e ilimitada liberdade democrática. Ainda me lembro perfeitamente do som característico da vassoura do Jânio, inclusive nos programas da Rádio Aparecida. Que fim levou a tal de abertura democrática em que a gente vivia naqueles tempos? Que frustração! O Presidente Jânio foi obrigado a renunciar e depois de muitas peripécias políticas e legais assumiu o Jango, o cargo para o qual afinal havia sido eleito. Pouco durou. Teve de fugir. Olha Zé Pimenta. Você é meu amigo e vai me ajudar. O nosso silêncio e descaso é muito pior do que alguma asneira que se diga mesmo publicamente. 
Coragem!

Romelândia, 19 de março de 1985.