ABERTURA POLÍTICA
De tanto ver todo mundo alegre, faceiro, até o Tio Fidêncio anda bastante animado. E meu amigo Zé Pimenta, como anda? Eufórico também? Que bom. Não sei que coisa maravilhosa é o povo brasileiro. Já disse um sociólogo, há tempos, que o brasileiro é o povo do jeitinho. Mas, tudo o que é demais não presta. Por isso a gente fica meio desconfiado também. Confia desconfiando. Nossos representantes lá nas altas esferas deram a impressão ao povo que somente a tal de abertura democrática vai resolver os problemas do Brasil. Mas o Tio Fidêncio, como tanta gente mais, tem viva lembrança de 1960, quando todos os brasileiros votaram ou no sr. Jânio Quadros ou no sr. Jango. Eleitos com entusiasmo nunca visto nesta terra. Um presidente da República e outro Vice-Presidente. Numa vasta e ilimitada liberdade democrática. Ainda me lembro perfeitamente do som característico da vassoura do Jânio, inclusive nos programas da Rádio Aparecida. Que fim levou a tal de abertura democrática em que a gente vivia naqueles tempos? Que frustração! O Presidente Jânio foi obrigado a renunciar e depois de muitas peripécias políticas e legais assumiu o Jango, o cargo para o qual afinal havia sido eleito. Pouco durou. Teve de fugir. Olha Zé Pimenta. Você é meu amigo e vai me ajudar. O nosso silêncio e descaso é muito pior do que alguma asneira que se diga mesmo publicamente.
Coragem!
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