NOSSA LÍNGUA
Na última edição saiu uma palavra nova. Para tio Fidêncio pelo menos.
É sociólogo. Pelo menos no meu dicionário não existe. Mas como a língua de um povo está em constante modificação e aperfeiçoamento, admite-se que tal ou qual palavra ou expressão venha um dia existir. Será um erro gráfico, está desde já perdoado. Mas continuo insistindo que o possível acontece.
Senão vejamos a novidade recente que se chama “um barato”. Donde veio esta expressão? Originou-se de que país? Pelo que pude entender deve ser uma palavra neutra. É pelo menos o que fiquei imaginando outro dia ao assistir um programa de televisão onde ele disse à colega sei lá se de lazer ou de trabalho: Você é um barato! Não consegui entender. Mas procurando lá com meus botões criei uma situação que pudesse me ajudar e pensei: Que tal se ele dissesse : Você é uma barata! Não é possível, não é Zé Pimenta! Assim não dá. A continuar assim, que será da última flor do Lácio? Inculta e bela – vá lá! Com coisas assim até nosso Machado de Assis leva um susto de vez em quando. Outra que ouvi de um narrador gaúcho: Adão foi um índio abarbarado por falta de erudição. Esta gostei – falta de erudição.
Pelo menos este não podia dar a culpa ao professor. Outro procurou um dia destes o Tio Fidêncio e disse assim: Vim pedi um conseio ao sinhô porque sou meio burrão bastante pra mais de metro e não entendo as coisa. Por favor Zé Pimenta não deboche.
Romelândia, 26 de março de 1985.
Tio Fidêncio.
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