AINDA A REFORMA AGRÁRIA
Um dos pontos chaves da Reforma Agrária será colocar a terra ao alcance de quem nela quer trabalhar. É... ”terra pra quem quer trabalhar”! É bonito, principalmente no papel, e esta euforia nos deixa preocupados, porque a posse da terra é apresentada como a solução maior e única. Mas eu sempre pergunto porque tanta gente que tinha terra, abandonou, deu mais ou menos de presente e foi embora? Por quê? Já se vê que a posse da terra só por si “não resolve o problema”. Quais são as causas do êxodo rural então? Em nossa região sul, é claro, porque lá do norte e nordeste não as conhecemos e serão naturalmente outras – Lá é outra terra, da qual só temos vagas informações ou desinformações amplas.
Ainda que a terra seja doada para quem quer trabalhar, - o que seria justo – ainda falta o mais importante e o mais difícil: O amor à propriedade e o orgulho pela profissão, e sentir-se valorizado como parte indispensável no contexto da sociedade. Este amor e este orgulho não podem ser insuflados por leis e decretos mas devem emanar de um sentimento de ampla segurança. É como o caso de o governo preocupar-se com o controle da natalidade porque a fome impera no país mais rico do mundo.
Quando Baltazar do Bem e Canto assumiu a Secretaria da Agricultura no governo Amaral Souza, disse uma coisa importante: "Precisamos fazer com que nosso agricultor volte à agricultura de subsistência, que não sei por que foi abandonada". O que, é claro, não conseguiu, mas na hora da posse, se não matou, tirou pena. Ele não queria dizer que o agricultor só deve produzir o que consome. Queria sim dizer que o agricultor não deve comprar no mercado aquilo que ele mesmo pode produzir.
Romelândia, 15 de maio de 1985.
Tio Fidêncio.
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