domingo, 20 de julho de 2014

AINDA A REFORMA AGRÁRIA..


Continuamos o pensamento do último “Cantinho de Romelândia”. Se todos os minifundiários do sul do nosso país, de 1945 pra cá, tivessem ficado aí, produzindo tudo o que precisassem para seu sustento e vendendo o excedente, hoje ninguém falaria em falta de alimentos neste país e nas cidades não existiria tão cruciante, o problema do desemprego e do subemprego. (Porque tantas mazelas para cima de nós brasileiros: fome, falta de emprego, analfabetismo crônico, milhões de crianças abandonadas, velhice ao desamparo, prisões superlotadas, etc) Eu já fico até com vergonha diante de nossa bandeira. Será que ela não merece mais respeito?

Todos nós estamos convocados para esta grande empreitada, manifestando por todos os meios, nossa inconformidade diante deste quadro. Não sei com que cara, Delfim e sucessores aparecem nas reuniões do FMI e imprensa diante disso tudo. E ainda aparecem por lá com manias de grandeza e mordomias.

Está também na hora de aprendermos fazer menos patriotadas e trabalhar e produzir mais.

Existem diversas razões para o êxodo rural dos últimos 40 anos. Mas hoje vamos falar num quadro atual, que já elucida um pouco. Levantamento feito no Rio Grande do Sul mostra que a soja custa ao produtor CR$ 62,00 e ele está recebendo somente CR$ 44,00. Ano passado a soja custava CR$ 20,00 e o saco da farinha de trigo de 50 quilos custava CR$ 15,00 e hoje custa CR$ 80,00. Será que o agricultor já tem novamente licença para plantar o trigo? (Esta é outra história triste que será abordada). Trigo para fazer seu pão, para não ir comprar no mercado. Nosso colono recebia pelo quilo de porco em dezembro de 1984 CR$ 3.120,00 e hoje recebe CR$ 3.050,00. O concentrado neste meio tempo subiu de CR$ 11,00 para CR$ 35,00. Afinal, quem governa este país? E nosso agricultor está sendo convidado para, em praça pública, brevemente, bater palmas nos comícios de nossos representantes políticos.

E esta história repete-se desde que me conheço (será que me conheço?) por gente.

Ainda existem muitas outras razões do êxodo, as quais veremos, e que, de um modo geral, não merecem atenção – o que caracteriza mais uma vez quem e o que governa este país.

Romelândia, 29 de maio de 1985.


Tio Fidêncio

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