REFORMA AGRÁRIA
Um dos grandes assuntos do momento. E dos tantos grandes problemas a resolver. Em verdade o maior, porque dele depende a solução dos outros, principalmente o social. Isto porque não podemos esquecer as leis da vida e uma delas ensina que saco vazio não para em pé. E todos precisam comer. O doutor precisa e o Jeca Tatu, depois de tanta tristeza, aprendeu que também precisa. E além de providenciar o que comer, ele teve de aprender mais algumas coisas elementares e muito necessárias.
O assunto é sério e o grande problema é: - quem vai fazer esta reforma? Serão os políticos que nada entendem do assunto - ou não querem entender - ou serão os tecnocratas de gabinete que tudo complicam? Os latifundiários, que pesam na balança das decisões ou os minifundiários, que constituem grande maioria - mas que nada pesam? Começar por onde? No México onde o extinto INDA foi buscar o Modelo da Reforma de 1965? Ou nos Estados Unidos da América do Norte, donde os técnicos já trouxeram tanta coisa boa? Ou vamos de uma vez por todas aprender que nosso clima é nosso; a composição do nosso solo é característica “nossa”. A distância dos centros da produção de alimentos e dos centros consumidores é astronômica e muito nossa, dentro dos meios de transporte – os mais caros do mundo - por também serem nossos, e tantas outras particularidades mais.
A triste realidade é que nós nem conhecemos nosso país. O Zé povinho (eu) por absoluta falta de condições e a classe dominante por absoluta falta de interesse.
Eu li algures ou será que ouvi dizer, será verdade ou será mentira que nós temos em nosso país fazendas que abrangem um município inteiro ou mais, de um dono só e tudo o que está lá dentro pertence a este cidadão, incluídos os trabalhadores ou seja, os habitantes. E nós aqui, minifundiários, somos donos do produto de nosso trabalho até onde?
Romelândia, 08 de maio de 1985.
Tio Fidêncio.
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