AINDA A REFORMA AGRÁRIA.
Nós estudamos. Procuramos aprender com os outros... Os outros devem aprender conosco. E disto tudo pode nascer alguma coisa positiva. Não desesperemos!
Estamos tratando (tentando tratar) do magno assunto “reforma agrária”. Já deixamos claro nosso pensamento de que este problema não pode ser solucionado sem darmos a devida atenção ao fenômeno êxodo rural e tentar elucidar as causas do mesmo. Um povo que tinha a sua terra e debandou! O termo êxodo é este mesmo, porque foram enfrentar uma vida nova num ambiente desconhecido.
Vamos partir da pressuposição de que este grande problema vai ser em última instância, resolvido nos gabinetes governamentais, na capital federal. Lá estão assessores altamente capacitados e que saíram naturalmente de nossas faculdades. Estudaram pra que afinal?
Mas, mesmo partindo desta premissa não deixamos de preocupar-nos com os possíveis resultados. Senão vejamos a opinião de um vestibulando da Faculdade de Ciências Agrárias de Belém do Pará, num quesito sobre o significado do termo “êxodo rural”. É do Correio do Povo ( uma das coisas boas da vida que perdemos).
VESTIBULANDO REDEFINE O ÊXODO RURAL – Belém, 14 (CP) – O êxodo rural tanto pode ser “uma ferramenta que serve para executar algumas tarefas na área da agricultura”, como, segundo algumas redações feitas por vestibulandos da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. A prova da redação manteve, assim, a tradição de verdadeira batalha para os candidatos no último dia do teste a que 25 mil deles se submeteram, domingo, na capital, em meio a intensa chuva, que durou desde a manhã, e que provocou pequeno atraso no início da prova de redação e expressão.
De acordo com a redação do vestibulando que definiu o êxodo rural como uma ferramenta agrícola, “ela é constituída por uma peça de metal em forma de chapa, com um cabo de madeira de aproximadamente um metro de comprimento, com o diâmetro quantas vezes for o diâmetro do furo onde fica encaixado o mesmo (cabo)” E diz mais: “ O funcionamento desta ferramenta é bem simples. Sempre funciona em frente do operador, em uma posição inclinada para facilitar o serviço. Algumas das suas utilidades são: a capina, abrir covas, valas, etc.”
Ó meu amigo Zé Pimenta! Compreendeu agora o que é êxodo rural? Não é tão complicado como parecia. Né?
Não sei se me preocupo sem razão, mas já vai para alguns anos que guardo este recorte do Correio do Povo e fico me perguntando nas horas de sililóquio se este ilustre cidadão – hoje formado agrônomo – não está em algum gabinete em Brasília, preparando algum ante-projeto de reforma agrária. Porque até hoje nós andamos brincando demais com este assunto que é muito sério e põe em risco nossa própria sobrevivência como Nação.
Romelândia, 28 de maio de 1985.
Tio Fidêncio.
Essa é uma pérola do vestibular. kkkk
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